domingo, fevereiro 25, 2007

Chamo-te...


Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.


Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só de Teus olhares me purifique e acabe.


Há muitas coisas que não quero ver.
Peço-Te que sejas o presente.



Peço-Te que inundes tudo.

E que o Teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a Terra
Em Primavera feroz precipitado.



Sophia de Mello Breyner Andresen