quinta-feira, setembro 28, 2006

Tu e a Natureza


Os teus olhos são como o luar,
Os teus lábios delicados como a romã
Eles parecem uma flor a desabrochar,
Tão belos como o orvalho da manhã.

As tuas mãos são uma noite de Verão
O teu corpo é uma árvore elegante
Que enche o meu grande coração
E que só de olhar me deixa ofegante.

Quero ver o teu luar bem de perto,
E á tua árvore eu quero subir;
Pois eu tenho o meu coração aberto
E o orvalho da manhã contigo descobrir.

É o amor por ti que me faz correr,
E comparar-te com toda a natureza.
Quando vires água, não está a chover
É o meu coração a derramar tristeza.

Tu


Por ti,
Muito eu tenho esperado
E não te tenho encontrado.


Porquê?
Talvez estejas por aí escondido
E eu aqui com o coração afligido.


Vem,
Talvez não tenhas muito que andar
Talvez a teu lado me vás encontrar.


Onde,
Onde estás tu que não te vejo?
Estar perto de ti é um desejo.


Para ti,
É tudo o que estou a escrever
E para ti eu estou a correr!

Ternura


Um dia quando eu contemplava o céu
Vi uma gota de água perdida no ar,
Sem saber para onde ia e de onde vinha
Andava desorientada no meio do nada.
Então chamei a gota de água
E perguntei-lhe o motivo da sua desorientação.
Tristemente ela respondeu-me:
Não sei, para onde heí-de eu ir!
Existem locais onde há água com abundância
E aí poderia provocar uma inundação;
Outros lugares há onde não existe sequer
cheiro da água, aí também não
Pois eu iria ser motivo de discórdia,
Porque todos me iriam querer!
Durante alguns momentos a olhei
E com muita ternura respondi-lhe:
Vai para uma das tantas nuvens do céu,
Onde não provocarás demais abundância
Nem encontrarás discórdia.
Onde milhares de gotinhas te acolherão
Com muito carinho e muito amor.
Logo de seguida, a gotinha deu meia volta
E foi direitinha para céu, para uma nuvem
de onde me mandou, um grande sorriso!

Sozinha


Será que estou a viver
A história do Romeu e Julieta?
Eu não quero esse amor:
Amor com sofrimento,
Amor com distância...
Nada disso.
O amor é alegria,
É também estar presente.
Mas tu apenas me olhas
Não dizes nada
Não tomas nenhuma atitude...
Timidez? Não acredito.
Não te compreendo
Por isso escrevo, para desabafar.
Não acredito em ninguém
Apenas confio na poesia
Que não deixa transparecer,
As lágrimas que derramo,
A mágoa que eu sinto.
Não tenho ninguém ao meu lado,
Para compartilhar alegrias
E também tristezas.
Tu apenas me olhas,
Não me falas...não me tocas
Falas somente com o olhar,
Mas eu não te entendo!

Solitária


Sofrimento é o que eu sinto
É por sofrimento que eu choro,
Sofro, pois tenho muito amor para dar
E ninguém o quer receber.
Todos se recusam a me ouvir
Ninguém me compreende!
Tristeza, solidão, desespero
São adjectivos que descrevem
A composição da minha vida.
Eu quero amar alguém!
Descobri que sou uma solitária,
Mas não como as pedras preciosas,
Pois essas são muito cobiçadas
E eu... estou sozinha.
É triste ser-se solitária,
Porque tudo o que sentimos
Temos de guardar para dentro,
E o meu dentro está cheio.
Cheio de recordações e esperanças,
De coisas boas e coisas más.
O meu coração quer falar
Mas ninguém o quer ouvir.
Por isso sou uma pessoa:

Solitária!

Saudade


Ventos que sopram suavemente
Na noite calma de um lindo luar
Onde eu me perdi loucamente,
Onde eu te comecei a amar.


Mas quando o dia amanheceu
Tudo clareou como a água
O teu coração não me reconheceu
E eu desfaleci com tanta mágoa.


Hoje morro de tanta saudade
De tudo o que vivi contigo,
Saudade da tua lealdade
Saudade do teu ombro amigo.


Tenho saudades do teu sorrir!
Sofro para te tentar esquecer.
Quero o meu coração reconstruir,
Quero sem ti, aprender a viver.

terça-feira, setembro 26, 2006

Rossana


A amizade é uma fechadura
Que está na porta do coração
Para abri-la é preciso ternura,
Carinho e muita dedicação.

A chave tu conseguiste encontrar
E entrar bem devagarinho
Talvez para não me assustar
Ou talvez fosse por carinho.

Quero dizer-te que vou estar
Sempre pronta para te ouvir
Quando estiveres a chorar
Ou quando estiveres a sorrir!

Neste dia para ti tão especial
Desejo que sejas uma vencedora
Que venças sempre o mal
Sem deixares de ser uma sonhadora.

Tudo o que estou a escrever
É dedicado a ti, Rossana
Para que nunca possas esquecer
A tua sincera amiga Ana!

Resposta


Quem és tu?
Como tu serás?
São apenas questões
Que todos os dias eu me faço.
O que eu sinto?
E porque é que estou a sentir?
É daquelas perguntas sem respostas
Respostas?
O que eu tenho é só perguntas!
O que tu sentes?
O que eu represento para ti?
Perguntas, perguntas e mais perguntas.
Respostas?
Não existem respostas.
Eu não acreditava na telepatia,
No amor á primeira vista...
Caí na minha própria incredulidade.
Tu transmites-me paz e tranquilidade,
Quero conhecer-te.
Quero que faças parte dos meus sonhos
Quero que faças parte da minha vida.
Gostava de entender o que tu queres
Quando me olhas nos olhos,
Eu sei que queres dizer-me alguma coisa
Eu também tenho muito para te dizer.
Mas não entendo o teu olhar...
Não entendo a tua solidão e timidez,
Eu não te entendo.
E para isso eu não tenho

Resposta!

Renascer


A minha vida não tinha cor
Era como um mar de solidão
Onde apenas havia dor
Onde não existia emoção.

Mas um dia chegou a liberdade
Como um sonho cheio de alegria
Onde deixei de sentir saudade
Desapareceu como que por magia.

Eu ouvi o som do teu coração
Vi a luz do teu lindo olhar
Assim nasceu uma grande paixão
Foi aí que te comecei a amar.

Nesse dia parou o sofrimento
Apenas sentia a paz crescer
Juntamente com este sentimento
Que me dá imenso prazer.

Tu és como a frescura da madrugada
És singelo como a suave nudez
Que tornou a minha vida dourada
Onde te amei pela primeira vez.

Entre nós existe lealdade
E partilha de várias emoções
Onde o nosso amor é a verdade
Que enche os nossos corações.

Querido

























O meu coração andava perdido
Sem saber para onde ir
Mas que começou logo a sorrir
Ao ver o teu olhar tão querido.

És uma pessoa tão fascinante
Que o meu coração não resistiu
E a minha imaginação partiu
Para uma felicidade constante.

Uma vida nova comecei a viver
Sonhar contigo tão loucamente
Viver ao teu lado eternamente
E nunca mais voltar a sofrer.

Desejo que me ames de verdade
Que jamais me possas magoar
Que no teu coração exista o amar
Que entre nós nunca haja saudade.

Talvez sejas tu por quem eu espero
Há tempos que não tem fim,
Mas agora tenho-te ao pé de mim
E eu sei que é a ti que eu quero!

segunda-feira, setembro 25, 2006

Passado...


Sonhei,
Com a felicidade à beira-mar
E com o desejo de mais te amar

Sonho,
Por um olhar até hoje esperado
Mas até hoje sempre foi evitado.

Chorei,
Pela esperada e demorada caricia
Que era apenas uma coisa fictícia.

Choro,
Por um amor sem inicio nem fim
Que nasceu e morreu dentro de mim.

Recordo,
teu lindo cabelo dourado
E por um silêncio jamais quebrado.

Saudade,
deste puro e belo sentimento
Que ficou na história do esquecimento.

Para ti,
Desejo-te a maior e melhor felicidade

Desde ontem, hoje e até à eternidade!

Pedro


Sempre apareceste na minha vida
Quando ela estava um horror
Eu solitária, andava perdida
Pois para mim não havia amor.
A primeira vez foi uma paixão
Como uma rosa ao nascer
Que cresceu e brotou na escuridão
E sem luz acabou por morrer.
Pela segunda vez estivemos a tentar
Gostar muito um do outro
Eu nem sequer quero pensar
Se existir um terceiro encontro.
Compreende o meu coração selvagem
Que para ti, duas vezes já sorriu
Mas que sem querer, fez uma viagem
E para outro coração ele se abriu
.

domingo, setembro 24, 2006

Paixão Adolescente




Os teus olhos são belos de encantar
O teu corpo move-se lentamente,
És tudo o que se pode desejar
Para se amar muito loucamente.

Talvez o que eu sinta não seja amor
Uma amizade pode virar paixão
Paixão que delira com furor
Que faz bater bem forte o coração.

Eu própria não estou a perceber
O que me aconteceu na verdade
É uma coisa que não pára de crescer
E me dá a maior felicidade.

A noite passada contigo sonhei
Que teus lábios delicados, eu beijava
Mas no meio do, eu acordei, e chorei
Pois de um sonho se tratava.

Para eu te esquecer vai ser duro
Muitas lágrimas, eu vou derramar
Por um sentimento belo e puro
E que tanto me faz chorar.

Amor, tudo isto te é dedicado
Apenas como uma lembrança
De um coração muito apaixonado
Sem ter alguma ou qualquer esperança!


Olhos...


Olhos que no horizonte se perdem
Desvairados sem saber para onde ir
Misturados na confusão, eles temem
Uma grande vontade que têm de sorrir.
Sorrir para quem?
Se eu não encontro ninguém!

Os olhos são o espelho do coração
Seja: tristeza, alegria ou saudade,
Solidão, sofrimento, ira ou paixão.
Assim o coração não tem liberdade,
Pois tem a sua imagem exposta,
Nem consegue esconder de quem gosta.

Secretamente eu gosto de amar
E ao meu coração sou muito fiel
Pois nele não há sangue a circular
Mas bombons, açúcar e mel.
É como um bolo de chocolate
Envolvido numa cobertura escarlate!

O amor da Lua


Vou falar-te de uma rosa.
Uma pequena e frágil rosa
Que precisava de muita luz
Para sobreviver e não morrer.
Um dia a rosa pediu ao sol
Para que ele nascesse só para ela,
Só para a rosa!
No dia seguinte, o sol nasceu
Só para a rosa.
Cheia de luz ela cresceu e brotou
Brilhava tanto como o sol.
Mas o sol nasce e morre todos os dias
Ele morreu, e quando nasceu novamente
Não foi só para a rosa,
Foi para outras rosas. Para outras flores.
Triste e sem luz a rosa murchou,
Sofreu!
Esteve perdida durante algum tempo
Até que o sol olhou para a rosa,
Uma rosa triste e sem esperança.
Então o sol raiou somente para a rosa,
E ela voltou a Ter esperança
Mas...
A noite apareceu, e com ela a lua,
Que deu luz e protegeu a rosa
sol quando voltou a nascer
Nasceu só para a rosa,
E ela nunca mais murchou
Nem irá murchar,
Porque a rosa sabe que:
Se não tiver a luz do sol
Terá sempre a luz da lua!

sábado, setembro 23, 2006

A Rosa















Vou contar-te uma história:
Era uma vez uma rosa, acabadinha de nascer,
Bonita e frágil era a rosa.
Uma rosa que nascera no meio de ervas daninhas Que lhe roubavam o sustento vindo da terra,
Triste e sozinha estava a rosa.
Encontrava-se num sítio onde não existam animais
Onde não existiam outras rosas para conversar.
A cada dia as pessoas passavam e pisavam
As outras plantas que estavam a seu lado,
Todos os dias, a rosa tinha medo
De ser o último dia da sua curta existência.
Até que um dia, alguém reparou nela
E a transportou para um lindo jardim,
Onde existiam outras rosas, outras flores.
Onde existiam crianças e animais,
Onde não existia o medo, onde havia esperança.
Agora a rosa estava feliz!
Tinha um novo sentido na vida, alguém reparou nela.
Existia agora, alimento suficiente
E mais bonita se tornou a rosa
Pronta para se reproduzir, e dar mais rosas.
Agora as abelhas vinham-lhe contar segredos,
Quais eram os segredos?
Não sei!
Perguntem à rosa.

Angola


Estará sempre em meu coração
E ao longo da minha vida
Angola, minha terra, a mãe nação
Choro pis hoje está perdida.

Apesar de não ter qualquer lembrança
Amo-a com toda a sinceridade
Sei que para ela ainda há esperança
De viver em felicidade.

Todos os dias peço a Deus, em oração
Por aquele país que ele criou
E que o Homem fez a sua divisão,
Amo-a como jamais alguém amou!

Choro por tudo o que o Homem destrói
Só ele é culpado de toda a tristeza
A cada dia o coração mais me dói
Por Angola, terra da minha natureza!

Louca Paixão




O amor que por ti, eu sentia
Tudo o que contigo eu sonhava
Era como uma fogueira que ardia
E nunca, nunca mais parava.
Dei-te todo o amor que podia
Contudo o meu coração chorava,
Pois dentro dele não há felicidade
Só a certeza que te amo de verdade.

O teu sorriso é o sol a brilhar
A tua boca é uma flor a abrir
É uma rosa bela a desabrochar
Que um beijo longo está a pedir,
Um beijo que jamais pode acabar.
Mas talvez nunca vá conseguir
Beijar teus lábios de mel
E dizer-te: eu te amo Miguel!

Já estou farta de sofrer
Mesmo assim amo-te loucamente
É impossível tentar esquecer
Todo este amor ardente.
Vou sonhar contigo ao adormecer,
Que tu me amas eternamente.
Mas amar assim é uma arte
É construir um coração que se parte!

Horas


Estou aqui sentada há horas!
Como o pôr-do-sol é bonito,
Mas ninguém tem tempo para o ver
Admirá-lo com o seu verdadeiro valor.
Mas eu tenho tempo,
Por isso continuo á espera.
Á espera de quê?
Uma pessoa como eu, solitária
Não se pode sentar á espera
Pois nada vem ter comigo,
Ninguém vem ter comigo
Tenho de correr atrás do que desejo,
Mas já estou cansada
De correr e batalhar por ti,
Umas vezes esperas por mim
Outras finges que eu não existo.
Ainda continuo á espera,
Á espera de alguém que talvez
Nunca irá chegar.
Mas vou continuar:

Á tua espera!

Estrela Sem Brilho


Os teus olhos me encantaram
Pelos teus cabelos eu enlouqueci
Muitos desejos eles despertaram
E por eles eu muito sofri.

Os teus lindos olhos verdes
Verde como um campo perfumado
Em que eu desejava todas as tardes
Estar somente a teu lado.

Mas o que eu mais desejava
Era nos teus lábios tocar
Todas as noites eu sonhava
Com o momento de os beijar.

Contudo, esse dia nunca chegou
Tu sempre recusaste o meu amor
Apagaste uma estrela que brilhou
Que jamais voltará a dar calor.

terça-feira, setembro 19, 2006

Estranho!














É estranho!
A tua voz é a do príncipe dos meus sonhos,
A tua cortesia como o sol dos meus pensamentos
O teu sorrir como o brilho da lua.
É estranho!
Sentir que te conheço há nos sem fim.
Talvez sejas por quem eu espero
Desesperadamente durante anos,
Vivendo os meus solitários sonhos
É estranho!
Sentir a tua falta quando não estás,
Querer ouvir a tua voz no meu ouvido
Durante horas sem fim.
É estranho!
Acordar e sentir que falta algo
Neste mundo tão repleto,
Com tantas pessoas à minha volta
Sentir-me só,
É estranho!
Querer que as horas corram
E ultrapassem todos os números
Porque sei que irei ouvir novamente
A tua voz, junto ao meu ouvido
É estranho!
Eu sei que nunca sentiste
Como eu também nunca o senti,
É estranho!

É mesmo muito estranho!

sexta-feira, setembro 15, 2006














Lágrimas que insistem em nascer nos meus olhos e rasgar o meu coração...porque será que nunca estamos satisfeitos com o que temos e com o que não temos???
Não tenho ninguém que me ajude a suportar esta dor que me sai do coração em forma de lágrimas...
Eu sei que as minhas palavras não fazem sentido, mas será que a vida faz sentido?
As lágrimas nem me deixam ver as letras atrapalhadas...sofro, e não consigo ler o que escrevo.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Dor e Sofrimento


Porque é que o sofrer dói,
Porque é que a dor me faz sofrer?
Sempre que eu quero alguém
Tenho de sofrer, e o sofrer dói.
Dói muito a indiferença
A quem muito ama!
Eu não gosto de ti, eu amo-te
Sou incapaz de viver e pensar
Sem a tua imagem sempre viva,
Eu quero que ela desapareça
Que me deixe viver sem dor e sofrimento,
Mas...eu não consigo!
Não entendo o que vai dentro de ti:
Um dia és carinhoso, amigo e apaixonado
Outros dias, finges que não me vês.
Como eu adoro o teu sorriso!
O tempo a teu lado parece voar,
Pois eu não sinto ele passar.
Adoro estar contigo!
Tu falas, e eu imagino-te a dizeres
Palavras de amor e carinho,
Será que um dia as vou ouvir
Da tua boca?...Ah! A tua boca
Sinto o desejo de explorá-la,
Saborear cada pedacinho.
Conseguir transmitir-te o que eu sinto:
Eu amo-te!

Divisão


Desejei tanto te conhecer
Que dia e noite eu sonhava
Com o que eu te iria dizer
E porque o meu sorriso brilhava.

Esse dia, finalmente chegou
Meu coração não parava de saltar
Quase que ele se incendiou
Por eu muito te amar.

Mas eu tive que me dividir
Entre uma amizade e um amor:
Do amor eu tive que desistir
E tudo se ruiu ao meu redor!

Para mim não havia a esperança
De dividir contigo o meu coração,
Hoje resta-me apenas a lembrança
Daquela sincera e dolorosa paixão
.

Desabafar


O que se espera de uma caneta
De uma singela folha de papel?
Um desabafo,
Uma vontade de escrever.
Escrever tudo o que me vai na alma,
Tudo o que me magoa,
Tudo o que me alegra.
Só assim consigo desabafar!
Pois não tenho ninguém
Para me ouvir, para me amar.
Só a poesia me faz vibrar
Nada mais... me enlouquece,
Tudo o resto é momentâneo.
Apenas a poesia perdura
Ao longo de todos os séculos:
Como a poesia de Camões,
Príncipe de todos os poetas.
Gostava de ser como ele,
De exprimir tudo claramente
Mas não consigo!
Nem para o papel eu consigo
Dizer tudo o que eu sinto,
Há coisas que são difíceis
De exprimir:
até para o papel.

Coração Livre


O meu coração é como uma flor
Sempre a transbordar de alegria
E sempre com muita, muita cor
Tanta que parece magia.
Ele é tão macio como o algodão
Tão leve como uma pena
Eu tenho um grande coração
Apesar de ser tão pequena.
Nele, poucos conseguiram entrar
E me amar profundamente,
Mas nenhum conseguiu agarrar
O meu coração eternamente.
Assim ele continua a sorrir
Contudo está um pouco fechado.
Tu podes tentá-lo abrir

E ser o meu príncipe encantado.

Vencer


Lutei muito pelo amor que sentia
Sem saber se o conseguiria ganhar
Arrisquei! Ganhei o que queria
Hoje ainda penso que estou a sonhar.
Tu foste a primeira coisa que consegui
Por isso não te vou deixar partir
Pois desde o primeiro dia em que te vi
O meu coração começou a sorrir.
Sorrindo cada vez mais um pouco
Acelerado, bate de tanta felicidade
Porque o seu amor é bonito e louco
Que quando não estás, ele sente saudade.
Desejo que ele nunca pare de bater
Pois a cada dia bate mais fortemente
Porque quanto mais bater, mais ele vai querer
Amar-te sempre mais intensamente.
Um dia vi o teu coração no vale encantado
Foi aí que ele se apaixonou pelo meu coração.
Escrevi este poema que é a ti dedicado,
Para dizer-te mais uma vez:

"eu adoro-te paixão"!

Complicação


A minha vida está muito complicada
Acho até que ela vai dar um nó
Não sei o que fazer, estou desesperada
Olho à minha volta e estou muito só.
Nem para o papel consigo transmitir
O que, no meu interior, está a acontecer
Será que o meu coração está a mentir
Ou será que estou eu estou a endoidecer.
O meu coração diz que não
A minha cabeça não concorda
Ela diz que não é paixão
O que o meu coração transborda.
A minha cabeça diz não te amar
E por isso luta constantemente
Mas de noite dou comigo a sonhar,
Que tu vais ser meu eternamente.
Tens as qualidades que sempre desejei,
E até poesia tu sabes escrever
Mas tens os defeitos que sempre rejeitei.
Tenho medo que me faças sofrer!

segunda-feira, setembro 11, 2006

Ausência


Lágrimas que brotam do meu ser
Sem eu sequer saber a razão
Apenas sei que muito fazem doer
O meu singelo e delicado coração.

Este coração que muito quer amar
Amar alguém muito loucamente,
Mas ainda não conseguiu encontrar
Um coração que batesse tão fortemente.

Sei que um dia o meu coração vai sorrir
Por ter encontrado alguém muito querida,
Talvez esse dia jamais irá surgir
E eu viverei sempre uma vida sofrida.

Uma vida sem qualquer tipo de amor
Uma vida sem qualquer esperança
Mas feliz, pois vou conhecer o calor
De viver toda a vida como uma criança!

Amor e Vida


Como é gerar uma vida?
Deve ser maravilhoso!
A geração de uma vida
Provém de um acto ainda mais belo:
Uma vida vem do amor.
Com muito amor cria-se uma vida.
São as duas melhores coisas
Que vêm de dentro de nós.
Uma vida é o significado
De um grande e verdadeiro amor.
Como é o amor?
Não sei!
O amor deve ser como uma bola de neve
Quando começa só cresce, nunca morre.
Como é gerar uma vida?
Não sei!
Talvez nunca venha a saber,
Mas nós fomos feitos para dar vida
Fomos feitos para dar frutos:
Como uma árvore.
As árvores que não dão frutos
Apenas servem para embelezar.
Espero não ser uma dessas árvores:
Nascem, não dão frutos e morrem.
Eu quero amar!
Quero que desse amor,
Nasça um belo fruto.
Eu exijo que o amor
Nasça, dê frutos e cresça...
Em mim!

Amor



Amor,
É para uns um tema baralhado
É para outros um jardim perfumado.
É para uns a eterna confusão
É para outros a eterna paixão.

Amor,
É para uns um tema a esquecer
É para outros tempo para viver.
É para uns tão triste e tão pouco
É para outros tão belo e tão louco.

Amor,
É para uns um prejuízo
É para outros um sorriso.
É para uns uma aventura
É para outros uma ternura.

Amor,
É o mais belo tema

Que eu vou dar a este poema!

Amar em Liberdade


Sei que o amor é bem duro
Com ele não se deve brincar
É um sentimento tão puro
Que faz as estrelas e o sol brilhar.

Se algum dia, o amor morrer,
Tudo vai deixar de existir
Toda a Terra vai escurecer
Todos vão deixar de sorrir.

O amor vive-se intensamente
Não deverá ser uma recordação
Deve-se viver sempre o presente
E deixar voar o coração.

Para todos há a esperança
De possuírem a felicidade
Não ser apenas uma lembrança

De amar, em liberdade!

Abraço


Ventos que sopram de angústia
Vagos sonhos que se refugiam
Na sombra das falsas árvores,
Temem ver a luz do sol.
Têm medo que possa existir
Para eles uma esperança.
Porquê?
Porque têm uma falsa protecção:
A sombra!
É necessário cortar as árvores
Que os protege falsamente
Para deixar brilhar a luz do sol.
Para deixar que a esperança
Tome conta de todos nós.
Para que todos sejamos importantes
Nesta sociedade que nos incrimina,
Que os acusa de tudo o que é mau
E não os ajuda a levantar.
Nós queremos ser úteis para o país.

Nós queremos abraçar o mundo!

A Chuva


Em toda a minha vida
Nunca tinha reparado na chuva,
Verdadeiramente.
O céu torna-se cinzento e escuro,
Começam a cair umas gotinhas
Depois, muitas mais gotinhas caem.
Umas vezes cai menos
Outras vezes cai muito mais!
O mais e o menos:
Acontece o mesmo comigo,
Quando algo me aborrece
Os meus olhos ficam como o céu, tristes.
Então começam a cair umas gotinhas
Depois... muitas gotinhas caem mais!
Eu sou como a chuva:
Ás vezes triste e cinzenta,
Umas vezes mais outras vezes menos.
Mas sempre choro!
Talvez por ser incompreendida,
Talvez por causa das recordações
Não sei.
Chove quando as nuvens estão pesadas
Assim é comigo também,
Quando o meu coração está pesado
Carregado de mágoa e dor,
É o sofrimento!
Eu choro muito, porque sou
Como a chuva que cai,
No Inverno!

quinta-feira, setembro 07, 2006

Gilles Lipovetsky


"Se o Sexo É Livre, Porque É Que a Sociedade Não É Promíscua" Por ANDRÉIA AZEVEDO SOARESDomingo, 12 de Maio de 2002

ENTREVISTA COM GILLES LIPOVETSKY
O autor de "A Era do Vazio" esteve ontem no Porto para apresentar uma conferência sobre a sedução na era pós-moderna. Nesta conversa com o PÚBLICO, explica como o individualismo contemporâneo afecta o amor, o sexo e a política.

"A Era do Vazio" é talvez o seu livro mais conhecido. Nele, o filósofo francês Gilles Lipovetsky assinala a existência de um processo de personalização, capaz de tornar as sociedades pós-modernas apáticas e preocupadas com o próprio bem-estar.

Assim, as pessoas tenderiam a fazer as suas escolhas sem investir no espaço público, bem como a abraçar posturas hedonistas ou narcisistas.
Nesta entrevista, no entanto, o autor explica que o individualismo não provoca necessariamente o caos.

O amor continua a existir, o que muda é a quantidade de relacionamentos que encetamos para encontrá-lo fugazmente.
A liberdade sexual é total, mas poucos promovem orgias. O eleitor torna-se imprevisível, mas a democracia, como se viu na França, "não está ameaçada".
O próprio turbilhão gerado pelo individualismo contemporâneo reorganiza uma estabilidade social. É um "caos organizador", como explicou Lipovetsky.
O professor da Universidade de Grenoble esteve ontem no Porto para apresentar a conferência "O Amor e a Sedução na Era Pós-Moderna", no âmbito de um encontro promovido pela Sociedade Portuguesa de Psicanálise na Fundação Cupertino Miranda.

PÚBLICO - Escreveu que, na era pós-moderna, "a sedução já não é libertina". O amor, tal como o conhecemos hoje, vive fora da sedução?
GILLES LIPOVETSKY - Há na sociedade pós-moderna um conjunto de fenómenos que se opõem fortemente à lógica da sedução. A pornografia, por exemplo, é a anti-sedução. As coisas agora são muito rápidas, já não há aquele teatro do amor cortês. E isso acontece porque hoje valorizamos a verdade do desejo, a autenticidade. A segunda questão advém da liberalização sexual dos anos 70.

A pílula anticoncepcional?
Sim. E o fim do julgamento da conduta sexual das mulheres. A virgindade deixou de ser um valor. As feministas proclamavam que o ritual da sedução era então igualitário. Mas a verdade é que não houve essa partilha do papel do sedutor. A lógica individualista proporcionou a autonomia no interior dos casais. Mas o amor continua a existir. Refuto a ideia de que o individualismo faz o amor morrer. E a sedução não se coaduna com essa lógica da autonomia. A iniciativa, o avanço sexual continua a ser largamente uma prerrogativa masculina. Há sempre quem diga que agora a mulher também promove a aproximação, mas isso é mais um discurso feminista do que a realidade. As mulheres adoram ser cortejadas e esperam por isso. O grande paradoxo é que o princípio da autonomia foi reconhecido nos casais, mas o papel da sedução permaneceu não-permutável.

O indivíduo pós-moderno vive voltado para si próprio, mas também deseja um relacionamento afectivo com o outro?
Sim. O sentimento não desapareceu. Ao contrário do que se pode pensar, o individualismo não aboliu o relacionamento. Repare nas canções de Céline Dion. Elas não falam senão de amor. O que muda é a possibilidade de recomeçar a vida amorosa. Continuamos marcados pelo ideal do amor trovador. Queremos uma relação forte, um amor arrebatador, mas não para toda vida - e aí está a diferença.

Mas o facto de termos avançado para um novo conceito de relação, que à partida sabemos que será finita, e, ao mesmo tempo, de idealizarmos um amor arrebatador não nos provoca uma angústia de algo inatingível?
O amor é que é impossível. Não pode haver um amor feliz, pois assim seria uma paixão forte - e, como tal, seria trágica. Estamos felizes durante um período.
Quando as coisas ficam estáveis, um dos dois começa a sofrer. Mas não é a condição pós-moderna que provoca essa angústia. O amor seria o contrário do individualismo, uma vez que se vive para o outro. Mas, por outro lado, não há amor sem individualismo, pois uma relação pressupõe a escolha de alguém. O amor implica reconhecimento da autonomia dos sentimentos. Queremos casar com aquele que amamos.
Depois vem o divórcio.
O casal pós-moderno faz tentativas. Nós agora temos mais vidas amorosas. Recomeçam sucessivamente.

Há actualmente uma vaga de livros autobiográficos que tornam pública a conduta erótica da mulher - "A Vida Sexual de Catherine M.", por exemplo. Como vê esse desejo feminino de registar a própria sexualidade? Isso é um fenómeno coerente com a lógica individualista. Hoje as mulheres escrevem literatura erótica na primeira pessoa e até fazem filmes pornográficos. E é interessante que essa voz narrativa seja feminina. Antes, o discurso erótico era dominado pelos homens. Sade, por exemplo. Catherine Millet fala menos dos seus sentimentos e mais das suas peripécias sexuais. Isso não deve ser visto como um sinal do regresso da promiscuidade. A autora conta o que fez há vinte anos, quando não se pensava na sida. A fama do livro veio justamente do facto daquela história nada ter a ver com o que acontece hoje. E as pessoas indagam-se por que não sentem vontade de fazê-lo numa altura de total permissividade. Se a sexualidade agora é livre, porque é que a sociedade não é promíscua? A resposta está no facto de o homem individualista se querer sentir valorizado por uma pessoa que ele próprio escolheu. Isso conduz à afirmação do sujeito, ao passo que a orgia é precisamente a negação do indivíduo. E a cultura individualista que temos não combina com essa desvalorização do indivíduo.

Aborto


O corpo humano sofre, muito facilmente, influências sociais, através de regras e valores que lhes vão sendo incutidos, quer pela família quer pelo grupo de amizade a que se pertence; existe uma forte ligação entre o corpo e a vida social.
Cada dia que passa o Homem é mais dono do seu corpo, o que outrora era natural, presentemente pode-se optar, o que faz com que um fenómeno natural deixe de o ser e passe a ser um fenómeno social.
Presentemente a mulher pode escolher se quer ou não ter filhos, a reprodução humana é um fenómeno social, mais do que natural, onde o mesmo é altamente controlado.
Os indivíduos contra este fenómeno, referem que este é um homicídio, e só se deve realizar em circunstâncias extremas e especiais. A vida do ser humano é o valor ético a ser preservado.
Existem, porém, alguns que deixam essa decisão inteiramente nas mãos das mulheres, livrando-se assim de responsabilidades e culpas.
A vida humana deverá ser cada vez mais valorizada.

Positivismo


A industrialização origina mudanças de ordem: politica, cultural, religiosa, etc.
Entra-se numa nova fase, nas sociedades europeias; surgem problemas sociais como a delinquência, os conflitos sociais e a pobreza.
A sociedade está cada vez mais insegura, generalizou-se uma instabilidade social, sendo esta gerada pelo capitalismo.
Perante estes problemas pensou-se em como seria possível resolvê-los, e daí surgiram os primeiros pensadores sociais.

Mesmo antes da industrialização já existiam pessoas preocupadas com o social, entre os quais: Aristóteles, Platão, entre outros; e foi a partir daí que se aumentou a preocupação do social, bem como a resolução dos problemas sociais.
Surge Comte que tenta encontrar mecanismos que tentassem resolver os problemas sociais e também tentava alcançar a criação de uma ciência social; é ele que, pela primeira vez, utiliza o termo sociologia.

Ele pretendia que a sociologia fosse a mãe de todas as ciências sociais e tentou compará-las com as ciências da natureza.
Este processo de comparação designa-se por POSITIVISMO. Ele excluiu a psicologia e a história, de forma a tornar esta comparação mais pura, pois estas são ciências não exactas.
O Positivismo surge como forma de comparação, mas foi contestado pelos alemães, pois para eles esta teoria não era real, dando muito mais importância ao historicismo. Segundo eles era impossível comparar as ciências sociais com as ciências humanas, pois nas ciências sociais não há absolutismo nem método, e também criticavam a sociologia, afirmando que esta nunca seria a mãe das ciências sociais.

Conhece-se assim dois tipos de sociologia: a francesa que dá mais importância à sociologia no seu todo; e a sociologia alemã que dá mais importância às relações humanas.
A existência de várias sociologias surge porque existem várias formas de perspectivar a sociologia.

Ideologia


A ideologia antecipa a teoria, daí que a subjectividade em Ciências Sociais é quase nula.
Segundo Shumpeter a ideologia significa o coeficiente de um determinado indivíduo, sendo o coeficiente, um conjunto de valores e ideias que orientam o comportamento de uma pessoa.

Nele estão incluídos o meio em que a própria pessoa é criada, a classe social a que pertence, e a sua própria subjectividade.
Um indivíduo é movido como sendo seu guia, pelos seus processos de socialização.

Se formos ao estrangeiro vamos encarar a sociedade segundo o processo de socialização pelo qual passamos, e muitas vezes tecemos juízos de valores.
A realidade não existe na sociedade, existe sim a realidade, pela qual nós vemos essa sociedade, segundo os nossos valores de socialização.
Temos várias perspectivas da realidade social, variando elas segundo a perspectiva do autor, daí ser quase impossível existir uma objectividade, numa perspectiva sociológica. Segundo Schumpeter a visão antecede a teoria.
MARX foi um grande pensador que utilizou o conceito de ideologia para analisar a sociedade.

A ideologia é uma forma deformada de fazer a leitura da realidade, que está ao serviço da classe dominante. Utilizou como exemplo a economia de mercado ou a ciência económica capitalista.
Essa ciência é uma pseudo ciência porque não corresponde à verdade, é um instrumento da classe dominante (poder), porque a economia justifica a exploração do Homem pelo Homem; a classe dominante é quem tem o poder político e económico.
Quando se fala de ideologias do desenvolvimento há que ter em conta: o desenvolvimento como ideologia e o desenvolvimento como utopia.
No desenvolvimento como ideologia: as sociedades tidas como desenvolvidas auto denominam-se como referência, modelo a seguir, pelos países em vias de desenvolvimento; produzem formas de pensamento e interpretação da realidade que acaba por constituir ideologias, as teorias escondem as ideologias; as utopias de exportação são modelos da sociedade capitalista e socialista, no fundo modelos não aplicáveis e por isso utópicos.
Estes factores têm representações nos países em vias de desenvolvimento: elemento mimetesco, ou seja, imitação copiar, sem perguntar porquê; elemento imparcial.
O elemento mimetesco é a transferência de modelos, ou seja, copiam os modelos; importam os modelos dos países desenvolvidos, o que muitas vezes origina vários problemas nos países em vias de desenvolvimento.

A cultura, normalmente os intelectuais do Terceiro Mundo que estudam nos países desenvolvidos, existe uma correspondência cultural; eles são veículos de transporte dos modelos ocidentais.
A Cultura explica quem são as pessoas que praticam o mimetismo e porque estas são consideradas as “elites do Terceiro Mundo”.

A cultura é um meio de percepção e de conhecimento, é um instrumento que serve para entender uma determinada realidade.
Esta é também a motivação do comportamento humano, a cultura marca e influência a conduta da própria pessoa, é uma referência.
Contribui para a elaboração de critérios de avaliação. Quem é “formado” numa determinada cultura vai agir e pensar segunda essa forma cultural. Também contribui para a diferenciação e estratificação social, para a estrutura de sistemas de produção e de consumo.

A exportação é aceite nos países tidos como desenvolvidos. A cultura ajuda a comunicação entre os Estados, contudo prejudica os países em vias de desenvolvimento.
O Elemento Imperial é a extensão de poder a uma determinada região ou realidade.

Os países do Terceiro Mundo procuram o apoio do exterior, como protecção e como garantia de continuidade.
O desenvolvimento como Utopia não é possível aplicar este tipo de desenvolvimento nos países em vias de desenvolvimento, pois a cultura e as pessoas são diferentes. É necessário a existência de tecnologia adequada à realidade local; em vez de se criar uma fábrica de computadores, cria-se uma fábrica de catanas. O seu ritmo de crescimento vai ser diferente.
Como as Utopias não servem para nada, as sociedades são diferentes, existe um tipo de desenvolvimento que se podem dividir em três aspectos importantes: problemas ecológicos (o que não se passava no tempo da industrialização); cultura local, têm de se respeitar os problemas socioculturais desses locais; sociopolítica e sociocultura.
As consequências da Utopia dos modelos exportados:
Na década de 50 a URSS era considerada o segundo mundo, onde o Estado era centralizador. Existência do Plano, que era o elemento fundamental na actividade e actuação do Estado, e este era uma Estado burocrático. Como referência ideológica existia o marxismo.

No entanto existiam outras referências mundiais: o quarto mundo, em que eram os países orientais asiáticos, como a China, o Japão as Coreias, etc; tinham como referência ideológica o japonismo.
O terceiro mundo era considerado o mundo da família ou da aldeia, sendo esta caracterizada por comunidades locais. As suas referências ideológicas variam entre o gandismo, anarquismo e o marxismo.
No que se refere ao primeiro mundo temos o mercado, o capital e as grandes empresas, e que tinham como referência ideológica o individualismo.
Contudo na década de 70 a situação altera-se devido à queda do petróleo e do modelo do primeiro mundo foi desacreditado, gerou-se uma crise conjuntural, o primeiro mundo deveria ser um modelo a seguir pelos outros três modelos, contudo deixou de o ser.
Na década de 90 o segundo mundo deixa de ser um modelo a seguir, devido à queda do muro de Berlim, a URSS perde a sua atracção, inicia-se o fim do socialismo. A Europa passa a ser um modelo atraente a seguir, bem como o mundo oriental.

As problemáticas do Desenvolvimento são: as ideologias estão sempre disfarçadas nas teorias; as ideologias escondem interesses, assim como preconceitos.

Hoselitz vs Parsons


Foi influenciado por Parsons, pois foi seu aluno. Na década de 50, Parsons acaba a sua teoria sobre o estrutural-funcionalismo e é nessa altura que ele vai importar a teoria do sistema para a sociologia, com o objectivo de poder estudar a sociologia americana.
Parsons considerou este sistema fazendo três tipos de analogias: o sistema era comparado ao económico, era comparado ao que se chamava de biológico e que era comparado ao que chamou de cibernética.
Ele vai utilizar o económico para realçar a interdependência (no mercado as pessoas dependem umas das outras, estabelecendo uma interacção). Utiliza o biológico para realçar dois elementos fundamentais: simbiose do externo e do interno que se conjugam e que contribuem para a sobrevivência da sociedade e da pessoa humana.
O cibernético está ligado ao problema do controlo, fala dos controlos de utilização. Ele vai realçar dois factores: o simbolismo e a informação; estes são utilizados como controlo social (estruturo-funcionalismo) e o que controla a sociedade.
Parsons vai utilizar um conceito, ao qual chama Sistema Geral de Acção, para compreender o funcionalismo da sociedade americana. Ele diz que a acção humana se desenvolve ao mesmo tempo em quatro contextos fundamentais: contexto cultural (normas), contexto social (integração), contexto psicológico e o contexto biológico (adaptação).
Quando um indivíduo pratica uma acção, vai englobar todos estes contextos. Para além de os chamar de Sistema Geral da Acção, Parsons também os designa por Imperativos Funcionais.
Onde o contexto cultural corresponde à estabilidade normativa (o que é essencial dos valores/normas de uma sociedade), o social corresponde à integração, o psicológico à procura de objectivos e o biológico corresponde à adaptação.
Todos os Imperativos Funcionais também fazem parte do Sistema Geral de Acção e sem eles nenhuma sociedade pode sobreviver, eles são indispensáveis, são necessários ao consenso da sociedade. O estrtural-funcionalismo não acredita em conflitos, diz que apenas desgastam a sociedade, o consenso é fundamental para a sobrevivência da sociedade.
A socialização é uma arma para evitar a violência; a socialização primária e secundária vão incutir no indivíduo valores e normas.
O sistema social, segundo Parsons, consiste numa pluralidade de actores individuais, ou seja, é um conjunto de pessoas e de instituições. Quando se fala de actores, fala-se no papel, e ele considera o papel como o elemento fundamental da sociedade. Considera a sociedade uma espécie de rede de actores, que desempenham papéis dentro da própria sociedade, e que a sociedade está interligada.
A sociedade existe na medida em que todos desempenham o seu papel, logo é o elemento base, mantendo a sociedade livre, dando-lhe vitalidade.
Ele fala também dos Componentes Estruturais: valores, normas, instituições, papel. E também estes correspondem aos Imperativos Funcionais e fazem parte do Sistema Geral de Acção.
Qualquer tipo de acção que seja da livre vontade da pessoa ou imposta pela sociedade, essa é uma Variável de Configuração. Esta está associada às escolhas a que os actores devem proceder perante uma realidade ou uma situação.
Para Parsons o sistema é um conjunto de indivíduos com papéis definidos dentro da sociologia.
A acção social desenvolve-se em quatro contextos onde ocorre a Acção Social: cultural, social, psicológico e biológico. Comparado com os imperativos funcionais, estes são fundamentais para o funcionamento da sociedade.
A estabilidade normativa corresponde ao cultural, onde estão incluídas as normas dos povos; o sistema social está ligado ao social, onde se dá a integração e a socialização; as motivações correspondem ao psicológico; a adaptação corresponde ao biológico, onde o nosso organismo se adapta à sociedade.
A sociedade é composta por indivíduos com diferentes papéis, criando uma rede em que cada indivíduo desempenha a sua função dentro da sociedade.
A variável é uma dicotomia da qual o autor deve escolher um dos termos previamente, a que o sentido de orientação seja denominado por ele, antes de poder agir sobre essa situação.
Ele criou cinco variáveis padrão: afectividade/neutralidade; orientação para a colectividade/orientação para si; universalismo/particularismo; adscrição/desempenho; especificidade/difusidade.
Nos seus livros, Hoselitz, defende que os países desenvolvidos (ocidentais) têm variáveis padrão específicas, mas diferentes dos países em vias de desenvolvimento, e que seriam: universalistas, orientação para a realização e especialidades funcionais.
A teoria universalista, onde nos países desenvolvidos, os indivíduos agem segundo as normas, do que é aceite pelo país, de acordo com o que a lei impõe.
A orientação para a realização, onde os indivíduos procuram uma profissão, tem orientação para a realização dos seus objectivos.
Holetiz faz uma selecção de papéis que, na sua perspectiva constituem um obstáculo ao desenvolvimento; estes têm o mesmo peso em relação ao desenvolvimento e subdesenvolvimento.
As variáveis têm o mesmo peso, condicionando os países subdesenvolvidos. Para que estes se desenvolvam é preciso abandonar essas variáveis padrões e adoptarem as variáveis dos países desenvolvidos.
Contudo, em termos teóricos, isto não é verdade, pois não é necessário o abandono das suas variáveis para se desenvolverem, pois nos países desenvolvidos existem também variáveis dos países subdesenvolvidos.
A escolha que ele faz em relação às opções dos sistemas (países desenvolvidos e subdesenvolvidos), o que ele quer atingir com esta distinção de sistemas é a análise dos países subdesenvolvidos e como eles poderiam atingir a modernização.
A sua opção deveu-se à sua tradição, ao tribalismo e às suas comunidades, factores esses marcantes nos países subdesenvolvidos.
Ele não analisa o país no seu todo, mas apenas uma parte, ele vai estudar, por exemplo, uma tribo e generalizar todo o país em função dessa tribo.
Ele caracteriza uma estrutura étnica dentro do país de modo a justificar a tradição, o tribalismo e o comunitarismo; o que teoricamente não corresponde à verdade.
Num terceiro ponto, Hoselitz agarra na argumentação de Parsons de que não é necessário estudar a estrutura social e rejeita a análise das estruturas sociais, para analisar a sociedade global.
Daí ele não utiliza a análise da estrutura social de um país pois iria descobrir a exploração de classes sociais por outras classes sociais.
O importante é compreender o papel de cada um, dentro da sociedade; teoricamente isto não é válido pois é impossível estudar uma sociedade sem estudar as suas estruturas politica e culturais.
As suas teorias não têm eficácia política, pois no EUA há cargos que são atribuídos, e este não é um país subdesenvolvido.

Sociedade


A Sociedade é um dos conceitos mais importantes para a sociologia; é um agregado de pessoas que habitam num determinado território, relacionando-se entre si e também com a natureza; esse relacionamento é de ordem social.
Estes indivíduos estão sujeitos ao mesmo sistema de dominação politica, e este grupo de pessoas têm a noção de que são diferentes dos outros grupos e que possuem uma identidade própria. [1]
O número de pessoas que pertencem ao grupo não é importante não é o factor condicionante para a designação de sociedade, a sociedade pode ter um número reduzido de pessoas, como poderá ter milhões de pessoas.
Existem várias vertentes da sociologia, pois esta preocupa-se com um número alargado de factores que existem na sociedade, e um desses factores a que a sociedade está sujeita é o Direito; assim existe uma Sociologia do Direito.
A Sociologia do Direito tem como objecto de estudo as relações entre os factos sociais e o Direito, tomando em consideração a sua produção e a sua aplicação na sociedade. [2]
Um dos seus objectivos é analisar as estruturas jurídicas como sendo fenómenos sociais singulares e também estudar o Direito como sendo um conjunto de normas que cooperam para a ordem social actual.
Assim pode-se afirmar que a Sociologia preocupa-se em entender a aplicação do Direito na sociedade, e estudando os efeitos dessa aplicação, sem contudo nunca esquecer o quão importante é para a sociedade a elaboração a aplicação das leis.
A coabitação em sociedade traduz-se na inter-ajuda, na solidariedade e na divisão social do trabalho. E a coabitação só é possível através da existência de um número mínimo de regras e normas, de modo a definir as condutas dos indivíduos, e esse conjunto de normas e regras a sociedade é a condição principal à existência da própria sociedade.
A ordem é o principal factor da sobrevivência da sociedade, os indivíduos ocupam o seu lugar, ocupam uma determinada ordem. A ordem social implica um complicado conjunto de normas propostas ao cumprimento dos seus membros. E é a norma que delimita e concilia a conduta dos indivíduos na sociedade.
Mas este conjunto de normas que a sociedade deve acatar, podem muitas vezes ser quebradas, mas isso não implica a validade da própria norma.
Pois, cada indivíduo, tem liberdade para acatar essas normas ou, pelo contrário, revoltar-se contra elas; daí a existência da punição para esses indivíduos, de modo a voltar a assegurar ordem social, que é o que faz subsistir a sociedade.


[1] Jorge Pité, Dicionário Breve de Sociologia, Lisboa, Editoral Presença, 1997, 1ª Edição
[2] Idem

terça-feira, setembro 05, 2006

A História da Eutanásia


A eutanásia não é prática recente, mas pode-se iniciar a sua história no início da civilização, mais precisamente na Grécia e em Roma. Contudo, não há provas concretas, nem vestígios suficientes que comprovem a prática da eutanásia, no seu sentido legítimo e verdadeiro, entre aquelas civilizações antigas. O que se pode apurar é que a eutanásia, mesmo em seu verdadeiro sentido de morte piedosa, não foi uma prática desconhecida para os gregos, tendo sido estes a lhe darem o nome.
A eutanásia que os gregos conheceram, que praticaram e da qual se tem provas históricas é a que se chama "falsa eutanásia", ou seja, a eutanásia de fundamento e finalidade "puramente eugénica".
Em Atenas, 400 anos a.C., Platão pregava no terceiro livro de sua "REPÚBLICA" o sacrifício de velhos, fracos e inválidos, sob o argumento de interesse do fortalecimento do bem-estar e da economia colectiva. E muito antes, Licurgo fazia matar as crianças aleijadas ou débeis que, cruelmente, eram imoladas em nome de um programa de salvação pública de uma sociedade sem comércio, sem letras e sem artes e trabalhada apenas pelo desígnio único de produzir homens robustos e aptos para a guerra.
Os romanos também praticaram a falsa eutanásia, exitem notícias de que conheciam a morte piedosa. Theodoro Hommsen, romanista alemão apresenta na sua obra "Direito Penal Romano" provas concretas da prática da eutanásia. O ilustre jurista alemão refere-se à Lei Cornélia que definia o homicídio, considerado este como sendo uma compaixão e explicava que se matava o enfermo para pôr um fim às suas dores.
Ainda entre os povos antigos, tem-se notícia de que os germanos matavam os doentes incuráveis; estes, na Birmânia, eram enterrados vivos juntamente com os velhos. Os eslavos e os escandinavos também apressavam a morte dos seus pais quando estes sofriam de mal incurável e irreversível.
A Bíblia, no Velho Testamento, menciona um caso emblemático da tentativa de suicídio, seguida de morte eutanásica: Saul, foi ferido na batalha contra os Filisteus e com medo de ser capturado pelos mesmos, pediu ao seu escudeiro que o matasse. Negando-se o escudeiro a matá-lo, Saul atirou-se sobre a própria espada, ferindo-se gravemente. Não tendo encontrado a morte, apesar disso, chamou um amalecita e pediu-lhe que o matasse, e foi atendido. David, ao receber a notícia da morte de Saul, contada pelo amalecita que o matara a seu pedido, não lhe perdoou e mandou castigá-lo com a sua própria morte.
Na Idade Média as informações disponíveis acerca das práticas eutanásicas são escassas. Sabe-se que, durante as guerras, era usado entre os soldados, um punhal pequeno e afiado, denominado "misericórdia", com o qual se livravam dos sofrimentos os mortalmente feridos. Foi nesta época que ocorreram inúmeras epidemias e pestes, e era comum a prática da eutanásia, uma vez que as doenças alastravam-se com maior facilidade, devido ao grande estado de miséria em que se encontrava a população durante o período de declínio do feudalismo.
Nos tempos modernos é relevante frizar o pedido feito por Napoleão, na campanha do Egipto, ao cirurgião Degenettes, de matar com ópio os soldados atacados de peste, no entanto este negou-se, porque a função do médico não era matar mas sim curar. Ensina a história que o objectivo de Napoleão era matar os enfermos irremediavelmente perdidos e já moribundos, a fim de que não caíssem vivos em poder dos turcos, uma vez que não mais podiam seguir a campanha.

No século passado, e neste, a eutanásia, sempre que aparece, vem seguida de repercussão social e de discussão doutrinária. Em nossos dias, uma série de livros e artigos têm surgido, envolvendo na discussão, contrária ou favorável, homens dos mais diferentes campos da ciência, como médicos, filósofos, juristas, psicólogos e teólogos.

Eutanásia e Deus


Além de um problema médico, social, jurídico a eutanásia é um grave problema moral.
Sendo crente ou não, e afectando a todos, a eutanásia implica matar um Ser prezado por Deus, que vela sobre a vida e a morte, sendo pecado que atente contra o Homem, e por isso contra Deus que o criou, e é ofendido por tudo o que ofende o Ser Humano.
Por essa razão Deus ordenou: «Não matarás» (Mateus 5:21:22), sendo um acto injustificado contra a dignidade humana e contra um filho de Deus, este que nos tirou do nada, porque nós por si só não subsistimos. Temos um Ser, porém o Ser não existe por si mas pelo Ser no qual teve princípio.
Mesmo para aqueles que não são cristãos admitem na vida social o primado do espiritual devem ser sacrificados aos verdadeiros valores espirituais na projecção para além do tempo. E, esta ressonância eterna confere-lhe méritos de incalculável valor.
Com efeito, pelo sofrimento, o Homem pode não somente expiar os próprios pecados mas também, utilizando em união com o sacrifício do redentor.
Consentir ou apressar a morte seria proclamar que sofrer é o pior de todos os males e que os benefícios da vida se resumem a não sofrer. Isto é verdade para o animal, porém falso para o Homem, para qual tem toda a dignidade e valor.
Apressar o fim seria privar o Homem duma parcela da sua vida que constitui o seu bem supremo, frustá-lo do que possui de mais valioso, não deve encurtar-se sejam quais forem as suas razões e justificações a sua vida.
Segundo os Princípios da Igreja, nunca será lícito matar um doente, nem sequer para o não vermos sofrer ou não fazê-lo sofrer, ainda que ele o diga expressamente nem o médico, nem o doente, nem o pessoal de saúde, nem os familiares pode decidir ou provocar a morte de uma pessoa.
Não é legítima a acção que por sua natureza provoca directa ou intencionalmente a morte do doente.
Não é lícito suspender um tratamento devido ao doente sem o qual sobrevenha inevitavelmente a morte.
É ilícito recusar ou renunciar a cuidados intensivos e tratamentos possíveis e disponíveis.
A eutanásia é um crime contra a vida humana e contra a lei divina do inocente e um bem que supera o poder de dispor tanto do indivíduo como do Estado.
Para além da Igreja condenarem o acto (eutanásia) muitas outras doutrinas partilham da mesma ideia mas há luz de outros critérios que no fundo resumem a existência de um caminho em que a intromissão no ciclo natural de vida é uma intromissão às leis de Deus.
O materialismo alicia os povos que felicidade apenas se encontra nos gozos terrenos, leva ao suicídio.
A eutanásia é uma outra forma para fugir a um sofrimento desconhecendo as leis de Deus. Mas será impossível, alguém compreender que todos estes aspectos diluem a crença da existência de uma Alma.
O Homem não tem o direito de pratica a eutanásia. A agonia prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma, como a única valia para as imperfeições do espírito.
Aqueles que, por mera ignorância das Leis da Criação viam e vêm a eutanásia, como meio de minorar os sofrimentos deverão reflectir sobre tal. Como Jesus Cristo disse: “Amarás o senhor teu Deus, o teu coração e de toda a tua alma…amarás o teu próximo como a ti mesmo”.
O respeito pela vida apresenta-se-nos como um Dever Absoluto. Criado para louvar Deus o Homem pode escolher livremente a maneira como o há-de fazer. Não pode escolher o momento em que o serviço cessará.
Isto é, a vida do Homem não está à disposição do Homem.

Sociedade e Eutanásia


A eutanásia costumava ser um problema social em sociedade primitivas em que se eliminavam os considerados inúteis como por exemplo os recém-nascidos com malformações e as pessoas idosas.
Esta prática veio, no entanto, a terminar com o aparecimento do Cristianismo.
Até ao século XX a eutanásia não voltou a constituir um problema social ressurgindo nos anos 30 deste século especialmente na Alemanha.
O século XX foi considerado o século mais civilizado. No entanto, a eutanásia não demonstra isso.

Demonstra precisamente o contrário. A eutanásia não significa civilização mas precisamente o contrário o que contraria o espírito que se tentou desenvolver ao longo do século XX. Este espírito funda-se no respeito dos Direitos do Homem e na Dignidade do Ser Humano.
A prática da eutanásia desrespeita a Dignidade do Ser Humano pois a dignidade é independente da raça, do sexo, da habilidade ou capacidade mental e da saúde do Ser Humano.
O respeito da dignidade do Ser Humano distingue a sociedade actual das sociedades primitivas nas quais a vida de uma pessoa com deficiências era depreciada.

Poderão afirmar os apoiantes da eutanásia que o ser humano morrer para não sofrer. Não pode se afirmar isto. O Ser Humano não perde a dignidade ao sofrer.
Actualmente a medicina oferece vias para aliviar a dor dos doentes terminais.

A sociedade apela à eutanásia pois é portadora de uma mentalidade que tem como objectivo escapar e de fugir à dor a todo o custo.
A eutanásia traz alguns efeitos para os elementos que constituem a sociedade. Um deles é o medo. Medo que um doente tem que os seus parentes ou o seu médico lhe diagnostiquem a eutanásia quando estiver inconsciente e não poder exprimir a sua vontade.

Mesmo que só se admitisse a eutanásia a pedido do próprio doente isto seria perigoso pois hoje seria a eutanásia voluntária mas o passo seguinte seria pedir a eutanásia para quem não está em condições de expressar a sua vontade como por exemplo, o deficiente mental, o doente inconsciente.
Os próprios debates realizados a favor da legalização da eutanásia voluntária tendem a dar como exemplos os doentes terminais inconscientes o que revela a intenção deste grupo social a favor da eutanásia de ir para além da eutanásia voluntária.
O facto de um familiar decidir a aplicação da eutanásia a outro familiar quando este estiver numa situação de inconsciência cria nas relações familiares um sentimento de insegurança, medo que deveria ser um sentimento de solidariedade, amor e generosidade.
Na decisão desse familiar em aplicar a eutanásia a outro familiar pode estar em jogo elementos económicos como heranças, encargos e incómodos e poupança de custos.

Actualmente isso já se reflecte porque cada vez mais os idosos são abandonados em instituições que cobram elevados preços ao familiar do idoso. O familiar tem todo interesse em se desembaraçar do idoso.
Poderá a eutanásia corresponder a um sentimento de compaixão por aquele que sofre?

Não, porque decidir praticar ou ajudar a praticar a eutanásia pode-se julgar que se está beneficiar aquele a quem dá a morte mas é um acto deplorável porque se está a decidir o que é bom e o que é mau para os outros.
Por exemplo, os doentes em vida vegetativa, isto é, inconscientes com uma lesão celebral irreversível ligados a um respirador poderão decidir? Claro que não podem decidir mas os outros acham-se no direito de decidir por ele pois não consideram essa situação digna de um Ser Humano.

Será a pessoa inconsciente desprovida de dignidade?
Não, mas o facto de ter direito à vida dá-lhe a dignidade de pessoa, de Ser Humano que por muito que esteja doente não deixa de ser um Ser Humano nem a sua vida por mais difícil que seja não deixa de merecer respeito.
O que os defensores da eutanásia consideram é que o direito à vida deve se colocar num contexto de um "controlo de qualidade" que pode variar de sociedade para sociedade fazendo com que se trate o corpo humano como um mero objecto.
Mas o Ser Humano e o seu corpo não podem ser encarados como um mero objecto. O corpo é o fundamento da dignidade da pessoa humana.
Os defensores da eutanásia consideram que os inválidos em situações extremas convertem as suas vidas sem sentido em situações gravosas para os familiares e amigos mas também para os cofres públicos pois supõem altíssimos custos em prestações para a segurança social.
É inadmissível a morte de Seres Humanos para que não sejam um peso para os familiares ou para melhorar as condições económicas da colectividade. Isto é uma manifestação de totalitarismo, ou seja, o sacrifício do indivíduo em favor da colectividade como foi o caso do regime nazi em que se eliminava os inúteis por razões socio-económicas.
A eutanásia prospera num clima social que foge a tudo o que suponha sacrifícios a favor dos outros.
A primeira fase, das Campanhas a favor da eutanásia e para a aceitação social desta, é a apresentação de um caso limite de modo a violentamente chocar a opinião pública fazendo desaparecer as razões para não admitir outros casos semelhantes.
A segunda fase é o aproveitamento de eufemismos ideológicos e semânticos aproveitando da complexidade conceptual e terminológica suavizando-se o verdadeiro significado de eutanásia passando a falar de que se "ajuda o doente morrer" desviando a atenção da realidade que não é mais do que matar um doente.
A terceira fase consiste em retratar os opositores à eutanásia como retrógrados, anti-progressistas, como fanáticos religiosos. Pretendem transmitir que a eutanásia é uma questão ligada à religião.

No entanto, não defender a eutanásia não é uma posição religiosa, as Humanista ainda que esta posição possa estar ligada a motivos religiosos.
Finalmente os defensores da eutanásia apoiam a sua posição em inquéritos favoráveis mas que a experiência mostrou serem pouco fiáveis.
Por exemplo, em Espanha assistiu-se a um caso em que os jornais anunciavam que os médicos de Barcelona se mostravam a favor da eutanásia. Uma análise aprofundada do conteúdo do inquérito mostrou que os médicos eram afinal contrários à eutanásia e que a sua opinião foi manipulada para servir uma causa que eles não partilhavam totalmente.

Marcuse

Faz uma síntese entre o pensamento anarquista e o pensamento marxista.
A grande matriz da sua teoria é que o mundo, nesta época, estava a regido por dois totalitarismos diferentes, mas que no seu final ambos conduziam à mesma situação.
Por um lado estava o totalitarismo soviético e por outro uma democracia, que segundo Marcuse, era apenas um disfarce de um outro totalitarismo, o americano.
Ambas as sociedades são más em termos de condução e de opção da vida do indivíduo, e em que os indivíduos da sociedade soviética são mais pobres.
Na sociedade americana, o homem tem, aparentemente, todo o poder de escolha; é simplesmente uma utopia, o homem tem apenas uma única dimensão, que é escolher o que já estava previamente escolhido.
Esta sociedade cria uma falsa igualdade, originando uma ilusão no proletariado, em que este seria igual ao capitalista.
Tal ideia tem a função de evitar uma revolução.
Para solucionar este problema, Marcuse acredita que em ambas as sociedades vai acontecer, um dia, uma revolução.
Enquanto não acontece, ele alerta para uma desmistificação a nível ideológico, em todos os campos. Ele acredita que quanto menos a sociedade é reprimida, mais o homem é livre.
O marxisto nunca foi implantado, foi uma teoria nunca posta em prática, e que proponha um quadro de igualdade e liberdade para todos.
Marcuse chega à conclusão de que é possível conciliar o anarquismo com o marxismo.
Um dos seus principais objectivos era encontrar uma formula que, quer no campo social quer no económico, não faça perder a individualidade e por outro lado contribuir para uma sociedade melhor.
Também vai conceber a teoria do relativismo, ele defende que, de facto, tudo é muito relativo, não há verdades concretas e que tudo pode ser posto em causa; o que desagrada a sociedade mais conservadora.

NIETZSCHE


Filosofo, louco, rompe com todas as filosofias onde predomina a razão, ele vem romper com o racionalismo e com a moral.
Segundo ele, a sociedade é pobre, pois o homem sempre esteve reprimido e incapacitado de se expressar. Para existir uma total liberdade do homem, este tem que matar Deus, livrar-se do racionalismo; o homem te de se libertar das suas expressões.
A imagem de Apolo, Dionísio e Sócrates são utilizados por ele para expressar a perfeição do homem. Apolo representa a beleza, Dionísio representa a alegria de viver e Sócrates representa o lado racional do homem, sem esconder a sua vitalidade.
Para Nietzsche, a arte é toda a verdade do homem, onde ele se despe de todos os perconceitos e onde se pode encontrar a mais verdade do ser humano, pois o artista nunca está amarrado ao lado racional ou moral.
Ele vem propor que se acabe com a filosofia ocidental, esta filosofia apresenta por um lado a dimensão racional e por outro a dimensão religiosa, e que é culpada pela uma má formação do homem ocidental, pois é uma filosofia completamente errada e deturpada.
Para tentar corrigir este erro, Nietzsche, fala dos valores vitais. Ele vem dizer que os valores morais estão centrados, ao mesmo tempo, no plano racional e no plano religioso.
Assim o homem tem de parar e impor-se a si próprio, aos valores vitais e aos valores morais. A religião e o cristianismo servem para desvitalizar os valores que Nietzsche defende, e deseja substituí-los pelos valores morais ou religiosos, que apenas servem para enfraquecer o homem, para o incapacitar de distinguir o que ele verdadeiramente quer, e para o levar a uma moral que traça o seu destino logo á nascença.
A dimensão da morte de Deus está relacionada com a vontade de poder, é a verdade que cada individuo tem de querer fazer o que pensa, independentemente da opinião das pessoas que o rodeiam.
Mesmo que essa vontade possa parecer irracional, cada um escolhe o seu destino, esquecendo o lado racional.
Mas nem todos os homens conseguem alcançar o estado que Nietzsche refere, apenas alguns têm esse privilégio, e quem o consegue é intitulado de super-homem.
O super-homem é a capacidade de se ultrapassara si próprio, ultrapassar a cultura ocidental, é um renascimento de si próprio.
Nietzsche também nos trás o conceito de eterno retorno: é uma anomia em termos de natureza, no sentido de que nada morre e que tudo se transforma, e o homem faz parte dessa natureza.
Segundo o filosofo, o que distingue o homem dos outros seres vivos, não é a razão, mas sim a arte. Ele opõe a arte à ciência e vai contestar todo o racionalismo: a arte como forma de representação de toda a verdade, e a ciência como essência da razão, o resumo do que é racional.

Os postulados da saúde, medicina e da doença


Numa primeira reflexão pode-se verificar a existência de duas faces: a sociologia e por outro lado a saúde, medicina e doença.
O conceito científico é provisório e parcelar, nós apenas conhecemos pequenas parcelas.

A saúde, a medicina e a doença são considerados fenómenos sociais, exteriores ao indivíduo, onde a saúde é diferente de doença.
A sociologia trata os fenómenos sociais como sendo coisas, no entanto, estas podem ser coisificadas, ou seja, podem ser medidas, e pode-se mesmo afirmar que muitas vezes esta ciência social utilizou o mesmo caminho de algumas ciências naturais.
A sociologia, como ciência de observação que é, estuda, numa perspectiva positiva o conjunto dos fenómenos, estruturas, instituições, grupos, poderes, relações de força e comportamentos que se manifestam pelo facto do indivíduo viver em sociedade.
Na sociedade existem instituições e agrupamentos sociais dos quais fazem parte as instituições de saúde, como os hospitais e os centros de saúde.

Nas instituições de saúde o doente ganha um estatuto diferente devido à sua patologia, onde é tratado por médicos, no entanto as doenças de hoje não são as mesmas do passado.
A sociologia é uma ciência pluriparadigmática, pois existe uma complexidade real da acção humana, que pode ter como objecto de estudo a doença e também a saúde, ela tem uma forma diferente de construção dos objectos, mobilizando os conceitos.

Faz cruzamentos entre os vários autores tendo sempre como objectivo a análise dos fenómenos da saúde e da doença, como é um exemplo disso o estatuto do doente, dá ênfase à diferenciação social, no que se refere a classes ou grupos sociais. A saúde é um objecto de estudo mas não é um ramo da sociologia.
Na sociedade o indivíduo que se encontra doente é uma personagem social e a sua doença é considerada a realidade construída, daí a importância da saúde como um bem fundamental à vida e à própria sociedade, originou o aparecimento da sociologia da medicina e da saúde.
Segundo a autora Graça Carapinheiro, o sociólogo é um colaborador do médico, interpretando a relação estabelecida entre a doença e o doente, em interacção com a sociedade cultural em que este se insere.
A perspectiva do fenómeno de análise das dimensões sociais é diferente: as dimensões são o resultado da análise e da teoria. Cada ciência interpreta a realidade social de uma forma diferente, e que distingue por: problemática teórica (construção do objecto), a ideologia está sempre presente na ciência; definição de problemas; as diversas ciências constroem objectos e paradigmas que servem de orientação nas pesquisas.
O contexto histórico-social é fundamental no estudo das doenças, na sua configuração e no seu aparecimento. O nível paraxiológico remete-nos para um nível representacional da doença, pois as representações sociais são avaliações sociais. O nível imaginário remete-nos para o futuro como imaginamos o fim, como por exemplo a sida, esta tem um curto prazo de vida.
Existe uma tentativa, por parte da medicina em transformar uma doença aguda numa doença crónica, para se deixar de morrer da doença mas sim para se viver da doença.

A sociologia médica nasceu nos Estados Unidos da América, enfatizando a profissão médica com a sociedade, bem como as relações entre os profissionais de saúde e os doentes.
A sociedade colocava em causa a medicina que justificava a doença social através de causas naturais, onde a sociologia explica o social pelo social, o que significava a queda do biologismo.